Archive for abril, 2008

colisão II

Agora é hora de outro agora…
renascendo como sempre, a semente

os pedaços incongruentes
aos poucos se unem, via fadada

orbitam em meio ao nada
e ainda assim perfeito, intocável

à densidade insuportável
de tanto sentimento, amados

os gritos calados
tornam-se gemidos, despertas

e as veredas, frestas abertas
são passagens e acolha

agora é a hora da escolha
corações e corpos concernentes

mais um passo e tudo será diferente
passo dado, devaneie

semeie pequena, semeie
sua árvore sombreará o mundo!

e cuidado:
você precisa olhar fundo!

grandes abacates são perigosos
na medida certa, acertado!

agora é hora na qual nos encontraremos
olhares e mãos ansiosos

quando nossos carros colidirem
o amor, a morte – findaremos

talvez
se decidirem

(A)g(o)ra é hora de ficar de vez.

lá fora… é outra hora…

noname

Foi no Bolo que encontrei mais uma mentira

dentre tantas, dentre várias…

sarahs, párias

vampira.

draft

e como fosse possível

inventou um fato

e num momento inexato

tateou o intangível

colisão

Agora é hora de outro agora…

os pedaços incongruentes

orbitam em meio ao nada

à densidade insuportável

os gritos calados

e as veredas, frestas abertas

agora é a hora da escolha

mais um passo e tudo será diferente

semeie pequena, semeie

e cuidado:

grandes abacates são perigosos

agora é hora na qual nos encontraremos

quando nossos carros colidirem

talvez

(A)g(o)ra é hora de ficar lá fora…

fragmentos

É engraçado estar sem chão. Você flutua… cai. Os pedaços dele por todas as partes, eles caindo menos rápidos que eu mesma. Sem onde me prender, sem ter como parar a queda aceito a condição. Resigno. Por enquanto. Só enquanto não sei o que fazer. Tenho medo de saber o que fazer. Melhor a dúvida. Enquanto caio vejo pedaços da minha vida. Sabe aquela coisa de pessoas que morrem e dizem que viram a vida como um filme? Quase isso. Vejo trechos específicos, com pessoas especificas. Dores. Sorrisos. Dias e mais dias. Momentos que marcaram. Momentos que não queria lembrar.

Meus pés estão apoiados no ar, que diminui a velocidade da queda. É uma sensação interessante. Por horas queria chegar ao final disso tudo, por horas não, medo do que vou encontrar. Sigo abismo abaixo sentindo todos os sentimentos possíveis. Vivendo de maneira única. Aprendo a transpor limites. Conheço novas fronteiras. Sempre cabe mais, sempre surge mais. É como se tomasse uma droga nova. A química do meu corpo reagindo a outra e me fazendo sentir-me, porque quando tudo está como deve, não nos sentimos de verdade.

Não como mais. É um equilíbrio entre o fora e dentro. Assim a sensação de vazio se completa.  Não há necessidade neste ponto disso. Conforme caio percebo que partes minhas se destacaram de mim. Perdi meu orgulho. Perdi meu amor-próprio. Perdi meu futuro. Perdi uma boa parte de mim. E não sei se me regenero, assim como os rabos de lagartixa e os fígados. Já não via muita graça no meu mundo com chão. Ao menos, agora nesta queda infinita, tenho bem menos a perder.

Perdi-me de mim mesma. Sou um átomo tão oco. No entanto tudo é intenso. Aprendi a chorar novamente. A respirar de outra forma. Aprendi que dói viver, como as crianças que nascem sabem bem. Sinto frio. Estou congelando. Eu que sempre fui tão quente. Mas tudo é ermo e gelado. E não tem mais ninguém aqui. Caindo, caindo. Cercada de pedras, de pedaços de chão. De medo. Estou petrificada de tanto medo. Apavorada. Ainda que já esteja despencando há tempos. Meus olhos ardem. Pesam. São as únicas coisas que pesam. O resto é bem leve. O restante do corpo perdeu seu conteúdo. Perdeu o que o fazia pesar. Estão sempre com sono. Mas o sono só está nos olhos. A alma não se cansa de tentar. Está cansada, é fato. Liquefeita. Rala. Esvaindo-se na minha mão. E que corpo é esse agora? Algo bestial. Partes trocadas e montadas a bel prazer, do caos. O ato ou efeito que descompôs tão rapidamente, me fez tentar recuperar o que sobrou. E ficou assim. A la frankenstein mode. Não posso escolher para onde ir. Simplesmente para baixo. E além. I n f i n i t a m e n t e.

É este eclipse de mim mesma. Náuseas. Vomitaria se tivesse como. E não desejo dó por isso, nem por nada. É escolha. Querer: “Eu quero!”. Embora sem minhas rédeas. Embora sem direção. Desejo. E pra descrever tudo, precisaria de todas as folhas do mundo. De palavras de todas as línguas. E seria lacônica.

E existe tanto amor. Incrivelmente forte e grande e poderoso. Muito maior do que sabia. Ganhando contornos mais amplos. Porque estou partida é que existem mais lugares para armazenar esse amor. Talvez entenda melhor agora. Como estar em carne-viva. Estranhamente masoquista. Permitindo-me ir mais longe. Sublimar-me. Como um ato de purificação. A espera. Preparando-me para muito. Jejuando. E não há vozes. Não há olhares. Nem aquele. Especial.

Por isso velo. No eterno cair, velo o morto. Beijo suas mão frias. Sempre frias. Agora duplamente frias. Aqueles que querem dormir, marejam. Caem no nada. Não há mais nada. Não aqui. Mas um grande tumulto em volta e lá fora. Outra. O grande espetáculo da vida. E nada é inteligível ou tangível. Apenas é.

Como disse uma Pessoa: não sou nada. Como eu escrevia antigamente: je suis rien.

Isso é morar (ou cair) em nihiland.

fim do último ato!

Queria vomitar você de dentro de mim. Calar as vozes das células que clamam seu nome. Extirpar cada parte, cada membro que ainda te quer. Apagar todas as memórias, ainda que pra isso, seja preciso bater com minha cabeça na parede até ver pedaços dela caindo pelo chão. Quero me purificar da tua presença, lavar com soda e água fervente meu corpo para que não sobre mais rastros teus. Vou arrancar meu coração e jogá-lo pela janela. Quero vê-lo espatifado no chão e depois sendo comido pelos cães famintos, saboreado cada pedaço e enfim, uma vez que esteja no intestino destes animais, ele já não mais baterá por ti. Descolarei meus lábios da minha boca. Não voltarão jamais a tocar-te, não permitirei! Fatiarei esses beijos que um dia inebriaram e farei deles lixo. Não são mais que isso mesmo, lixo! Lixo por todas as palavras que disseram e pelas que ainda querem dizer. Enterrarei cada lábio a uma distância considerável, nunca serão unidos novamente e restará apenas o vermes que deles se alimentarão. Os olhos que te perseguem serão afundados, virados, verão os destroços do que um dia fui, verão o que me tornarei. Olharei sempre pra dentro de mim e verterei as mesmas lágrimas de sangue já costumeiras. Não restará cabelo algum que tenha tocado. Arrancá-los-ei! Todos! Os ácidos que corroem o estômago terão passagem livre em breve e libertar-me-ei enfim. Liquefeita. Esfarelada. Outra. O monstro obscuro agora dá as caras. Fecharam as portas. As janelas. E qualquer passagem de luz. Não há mais luz. O monstro obscuro agora está às claras agora então. Sem mais conversas.

Fim do último ato!

O barulho da rua

Não me deixa ouvir

O barulho da rua

Os carros, as àrvores e as pessoas são

O barulho da rua

Motociclistas caídos ensangüentados provocam

O barulho da rua

Animais soltos, lixo, fumaça entoam

O barulho da rua

Sirenes, gemidos e mãos ao alto são as vozes d’

O barulho da rua

Pensamentos, divagações e sentimentos

O sentimento da rua

As luzes e cores e olhares sustentam

O silêncio da rua

Quem passa, quem olha, quem corre fala n’

O silêncio da rua

Não me deixa esperar

O silêncio da rua

O nada, o agora e a escrita pintam

O silêncio da rua

Silencia

O barulho da rua.

rapidinhas

Letters are created to be written

Histories are created to be told

And what about us?

Empty boxes

 

 

Alfa ou infinito?

Depende da vontade, do vício

De qualidade, de início

Ser tal qual passagem ou rito.

 

 

 

Bedtime:

Time to wake up inside and mess everythin’!