A sociedade do espetáculo

O espetáculo é a maneira pela qual a sociedade, da qual fazemos parte, existe. Ela se apresenta, se manifesta, se expressa, cria, se governa, se organiza e se auto-regula por meio do espetáculo. Ele é, de fato, a sociedade e como ela se comporta. A sociedade do espetáculo modela o modo de pensar, de agir e de se relacionar das pessoas.

E não é uma transformação que ocorre e muda um fato em espetáculo – ele já o é, e configuram-se assim todas as coisas. A economia vira (é) espetáculo, a política outro, a educação, as banalidades do dia-a-dia viram (são) imagens espetaculares.

As roupas servem para produzir o espetáculo, as falas são espetaculares, cada gesto, cada olhar… nascer faz parte desse mundo espetacular. A produção do espetáculo é a máquina do mundo contemporânea. Desta forma, todos passamos a ser produtores e produtos desta mentira sacralizada que toma o lugar da verdade. Um assassinato é espetáculo, a nova roupa do papa também, até uma casa, com desconhecidos dentro, é palco.

Nada escapa a esse mecanismo que foi produzido inicialmente pelo mercado, quando o ser foi trocado pelo ter e como fruto temos um aparecer que é almejado por todos. Esse transformar em mercadoria todas as coisas, fez máquinas tomarem o lugar de homens e os homens comportarem-se como máquinas. Máquinas que querem visibilidade, status, que precisam cuidar da imagem e vende-la o tempo todo para encaixarem-se dentro das “necessidades” criadas por essa mesma sociedade. É uma espécie de “ouroboros”, a serpente que morde o próprio rabo fechando o ciclo de suprir e necessitar interminável – o consumo sem precisar, a necessidade sem consumir.

A sociedade do espetáculo se diverte consigo mesma, uns com os outros, astros de seu próprio “show” de forma alternada. Nem sempre dá pra estar no foco, atraindo atenção, por vezes, se é público e como tal espetáculo também, mas logo voltam as luzes e brilha-se neste palco-planeta, ofuscantes, ofuscados e ofuscadores. Formantes de uma trama onde nem tudo que reluz é ouro. E não podemos esquecer “the show must go on!”.

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