Sie…

Lá estava ela, como todas as noites (madrugadas, melhor dizendo), deitada. Os minutos que antecedem o sono (que era raro) e que por vezes estendiam-se por horas. Mas lá estava ela. As horas avançadas, o cansaço do dia todo, as angústias, as preocupações, o futuro, as muitas coisas que a impediam de “desligar-se” daquele mundo e adormecer, visitando Morfeu (e Orfeu!) e abandonar aquela forma inapta de vida, por outra com cores e nuances mais aprazíveis.

Era assim a maioria das noites. A insônia, a inquietação, o barulho. Nunca estava silente. Nunca calma. Nunca. Mas respirava mais fundo. Sentia o sangue pulsar nas artérias em seu infinito caminho. Ouvia o palpitar que garantia sua (in)existência. Ah! Tanto peso. Tanta profusão de sentimentos. Tanta confusão, indecisão, vontade, desejo. E essa última palavra pausara em sua mente. Como uma fermata posta em pensamento. Ela tomou pra si aquele signo, como quem agarra a vida, como a mão da criança puxando a mãe pra ver uma joaninha.

Era o momento de liberdade. De soltar (ou por as amarras). De deixar toda aquela energia acumulada esvair-se pelos poros, pelo suor, pela respiração…

Respirou fundo mais uma vez. Expirou todos os pensamentos não prazerosos. Respirou outra vez profundamente e ao fazer isso passou as mãos em seus cabelos. Gostou de sentir o toque dos dedos nos cabelos, o arrepio que causava e manteve-se se acarinhando. Uma brisa entrara pela janela do quarto e tocara seu corpo. A espera de uma próxima, tirou o edredom de cima de si e esticou-se, alongando o corpo pra relaxar mais. Dos cabelos as mãos desceram. Seu pescoço tenso era massageado. Mexia a cabeça para os lados para contemplar toda a extensão da nuca e agora já do colo que era tocado. Experimentava toda espécie de contato.

Fosse com pontas de dedo, palmos, costas da mão, de leve, com pressão, enfim, testava-se na lei de ação e reação, descobrindo pedaços de seu corpo.

O calor apoderava-se de seu corpo, apesar da brisa freqüente resfriar o ambiente. Era um calor imanente, de dentro, de fora, um fervilhar de células, um palpitar acelerado. Ardor de desejo.

Imagens vinham a sua mente. Cenas. Gelo. Pr’aquele calor mesmo, só o gelo. Engolia seco. Os lábios gélidos. Muitas mãos, venda, salto alto, corte, sangue, cabelo preso, mordidas, tatuagem, voyeur, Dioniso, luxúria, unha, ego, olhar, sede, grito, costas, vinho, parede, fronha, perfume, vontade, morango, barriga, gotas de suor. Gelo. Suspiro. Morre. Respira fundo. Alívio. Inspira.

Não havia mais barulhos agora. O mundo se configurava estranhamente diferente da sua costumeira forma. Não havia tempo, nem espaço. Era um instante no presente, passado e futuro concomitantemente.

Morfeu a toma pela mão e a leva aos poucos pra sua morada. Outra morte experimentada. Sempre aquela que mata, e a que morre.

Dorme agora, amanhã (hoje) é um longo dia.

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5 Comentários »

  1. Dorian Said:

    Deveria escrever um livro. u.u
    rsrs

  2. evil10 Said:

    Nossa!!
    Ficou bom…
    Custei a entender…(lerdo)
    hehehe
    sem problemas!
    Ficou ótimo

    bjos

  3. Juliana Delmonte Said:

    Minha geminiana predileta,

    adorei a metáfora.

    Ou seria uma trincheira?

    😉

  4. Juliana Delmonte Said:

    Ops!

    Errei o comentário!

    Estou falando do texto anterior!

    😛

  5. Juliana Delmonte Said:

    Ou posterior, sei lá…

    Hum… acho que já tô bowua,gata…

    Hahaha!

    :*


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